quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Estado Novo e a Censura


A censura à imprensa periódica foi instituída em 24 de Junho de 1926 e durou até 1974. Aos poucos, foi-se  estendendo até ao teatro, o cinema, a rádio e à televisão. Nenhuma palavra ou imagem podia ser publicada sem permissão da censura.
A censura foi o único regime eficiente que conseguiu manter o regime sem alterações durante 4 décadas. Visou assuntos, não só píticos, mas também morais e religiosos. A censura embora não se aplicasse aos livros, tinha o poder de retirar tudo o que prejudicasse o Estado.
O órgão de policia política, que liderava a censura inicialmente, chamava-se a PVDE (Policia de Vigilância e Defesa do Estado) e mais tarde PIDE (Policia Internacional e de Defesa do Estado) a partir de 1945.





quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Contexto Histórico - Politico da época em que a peça foi publicada (1961)

Tempo histórico (século XIX - 1817)

  • Invasões francesas (desde 1807): rei no Brasil;
  • Ajuda pedida aos ingleses (Beresford);
  • Regime absolutista;
  • Situação económica portuguesa má: dinheiro ia para a corte que se encontrava no Brasil;
  • Regência, influenciada por Beresford (símbolo do poder britânico em Portugal);

  • Primeiros movimentos liberais (1817), com a conspiração abortada de Gomes Freire;

  • 25 De Maio de 1817 – prisão de Gomes Freire; 18 de Outubro de 1817 –enforcado, datas condensadas em dois dias na peça (tempo de acção dramática);
  • Governadores viam na revolução a destruição da estrutura tradicional do Reino e a supressão dos privilégios das classes favorecidas;
  • O povo via na revolução a solução para a situação em que se encontrava;

  • Revolução liberal de 1820;

  • Implantação do liberalismo em 1834, com o acordo de Évora-Monte.


Tempo da escrita (século XX - 1961)
  • Permanentemente presente (implícito);
  • Época conturbada em 1961: guerra colonial angolana; greves; movimentos estudantis; pequenas “guerrilhas” internas; crescente aparecimento de movimentos de opinião organizados; oposição política;
  • Situação política, social e económica de desagrado geral;
  • Regime ditatorial salazarista: desigualdade entre abastados e pobres; povo reprimido e explorado; miséria, medo; analfabetismo e obscurantismo;
  • PIDE, “bufos”; censura; medidas de repressão/tortura e condenação sem provas;
  • Sttau Monteiro evoca situações e personagens do passado como pretexto para falar do presente;
  • Grande dualidade de conceitos entre os dois tempos: Gomes Freire é Humberto Delgado; os governadores três são o regime salazarista; Vicente e os delatores são os “bufos”; os homens de Beresford são a PIDE.

Retirado de: http://brunasilva94.blogspot.pt/ 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Personagens, Tempo, Espaço e Ação, da obra: "Felizmente há Luar!"


Personagens:

GOMES FREIRE: é o protagonista, embora nunca apareça é evocado através da esperança do povo, das perseguições dos governadores e da revolta da sua mulher e amigos. É acusado de ser o grão-mestre da maçonaria, estrangeirado, soldado brilhante, idolatrado pelo povo. Acredita na justiça e luta pela liberdade, é apresentado como o defensor do povo oprimido, o herói (no entanto, ele acaba como o anti-herói, o herói falhado) e símbolo de esperança de liberdade.



D. MIGUEL FORJAZ: Primo de Gomes Freire, assustado com as transformações que não deseja, corrompido pelo poder, vingativo, frio e calculista, prepotente, autoritário, servil (porque se rebaixa aos outros).



PRINCIPAL SOUSA: defende o obscurantismo, é deformado pelo fanatismo religioso, desonesto, corrompido pelo poder eclesiástico, odeia os franceses.



BERESFORD: cinismo em relação aos portugueses, a Portugal e à sua situação, oportunista, autoritário, mas é bom militar, preocupa-se somente com a sua carreira e com dinheiro, ainda consegue ser minimamente franco e honesto, pois tem a coragem de dizer o que realmente quer, ao contrário dos dois governadores portugueses. É poderoso, interesseiro, calculista, trocista, sarcástico.



VICENTE: sarcástico, demagogo, falso humanista, movido pelo interesse da recompensa material, hipócrita, despreza a sua origem e o seu passado, traidor, desleal, acaba por ser um delator que age dessa maneira porque está revoltado com a sua condição social (só desse modo pode ascender socialmente).



MANUEL: denuncia a opressão a que o povo está sujeito, é o mais consciente dos populares, é corajoso. 



MATILDE DE MELO: corajosa, exprime romanticamente o seu amor, reage violentamente perante o ódio e as injustiças, sincera, ora desanima, ora se enfurece, ora se revolta, mas luta sempre. Representa uma denúncia da hipocrisia do mundo e dos interesses que se instalam em volta do poder (faceta/discurso social); por outro lado, apresenta-se como mulher dedicada de Gomes Freire, que, numa situação crítica como esta, tem discursos tanto marcados pelo amor, como pelo ódio.



SOUSA FALCÃO: inseparável amigo, sofre junto de Matilde, assume as mesmas ideias que Gomes Freire, mas não teve a coragem do general. Representa a amizade e a fidelidade, é o único amigo de Gomes Freire de Andrade que aparece na peça, ele representa os poucos amigos que são capazes de lutar por uma causa e por um amigo nos momentos difíceis.



Frei Diogo: homem sério, representante do clero, honesto – é o contraposto do Principal Sousa. 



Delatores: mesquinhos, oportunistas, hipócritas.



MIGUEL FORJAZ, BERESFORD e PRINCIPAL SOUSA  perseguem, prendem e mandam executar o General e restantes conspiradores na fogueira. Para eles, a execução à noite, constituía uma forma de avisar e dissuadir os outros revoltosos, mas para.



MATILDE: era uma luz a seguir na luta pela liberdade.




Tempo
a) tempo histórico: século XIX

b) tempo da escrita: 1961, época dos conflitos entre a oposição e o regime salazarista

c) tempo da representação: 1h30m/2h

d) tempo da acção dramática: a acção está concentrada em 2 dias

e) tempo da narração: informações respeitantes a eventos não dramatizados, ocorridos no passado, mas importantes para o desenrolar da acção


Espaço
espaço físico: a acção desenrola-se em diversos locais, exteriores e interiores, mas não há nas indicações cénicas referência a cenários diferentes

espaço social: meio social em que estão inseridas as personagens, havendo vários espaços sociais, distinguindo-se uns dos outros pelo vestuário e pela linguagem das várias personagens


Acção  

  • A obra recria, em dois actos, a tentativa frustrada de revolta liberal de Outubro de 1817, reprimida pelo poder absolutista do regime de Beresford e Miguel Forjaz, com o apoio da Igreja. 
                       
             Ao mesmo tempo 


Chama a atenção para as injustiças, a repressão e as perseguições políticas no tempo de Salazar, nos anos 60 do 
século XX – tempo da escrita (paralelismo entre 2 épocas: o século XIX – 1817 – tempo da história; e o século 
XX – 1961 – tempo da escrita). 


  • A acção centra-se na figura do general Gomes Freire de Andrade e da sua execução: 

 – da prisão à fogueira, com descrições dos governadores do Reino; 
 – da revolta desesperada e impotente da sua esposa e da resignação do povo que “a miséria, o medo, a ignorância” dominam. Gomes Freire de Andrade “está  sempre presente embora nunca apareça” (didascália inicial) e, mesmo ausente, condiciona a estrutura interna da peça e o comportamento de todas as outras personagens. 

  • Na acção desta peça, há a destacar o seguinte: 

– a defesa da liberdade e da justiça, atitude de rebeldia, constitui a “hybris” (desafio); 
– como consequência, a prisão dos conspiradores provocará o sofrimento (“pathos”) das personagens e despertará a compaixão do espectador; 
– o crescendo trágico, representado pelas diversas tentativas desesperadas para obter o perdão, acabará, em “clímax”, com a execução pública do general Gomes Freire e dos restantes presos. 
– este desfecho trágico conduz a uma reflexão purificadora (“cathársis”) que os opressores pretendiam dissuasora, mas que despertou os oprimidos para os valores da liberdade e da justiça. 

Retirado de: http://www.prof2000.pt/users/jsafonso/Port/luar.htm ~

http://ciberjornal.files.wordpress.com/2009/01/ficha-informat-felizmente-ha-luar-accao-e-personagens.pdf 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Contexto histórico de "Felizmente há Luar!"


Apesar de a ação da obra ter lugar em 1817, importa situar os acontecimentos que estão na sua origem:

- Com autoproclamação de Napoleão, em 1799, como 1.º  imperador dos franceses, a Europa atravessa um período conturbado. A situação política em Portugal reflete, pois, decisões estrangeiras 

- Intimado por Napoleão a declarar guerra à Inglaterra, em 1805, o Governo Português tenta contemporizar, fechando os portos às mercadorias, mas não hostilizando os ingleses residentes. 
 
- Forçado a aderir ao bloqueio continental, em 1807,  Portugal sequestra alguns bens ingleses, apesar de 
permitir a livre circulação dos produtos. A dubiez do Governo desencadeia a ira de Napoleão, que, nesse mesmo ano, conclui um tratado com Espanha e exclui Portugal do mapa europeu. Para a execução do tratado, o imperador francês envia Junot para o nosso país. O príncipe regente, D. João, a conselho do Governo Inglês, abandona Portugal e refugia-se no Brasil. 

- Após as batalhas de Roliça e do Vimeiro, em 1808, Wellesley derrota as tropas francesas, as quais são 
autorizadas a sair do país com todos os despojos de guerra. Um ano depois, em 1809, Soult invade, pela 2.ª vez, Portugal, e novamente Wellesley e Beresford rechaçam o exército invasor. Massena será o último representante napoleónico a tentar conquistar Portugal. 

- Em 1810, as tropas invasoras são derrotadas nas batalhas do Buçaco e de Linhas de Torres. Com a rendição da guarnição francesa, o exército francês abandona, definitivamente, o país. 
 
- A corte estava ausente (o rei encontrava-se no Brasil) e a administração do reino fora entregue a uma tríade 
governativa (D. José António de Meneses e Sousa Coutinho, D. Miguel Pereira Forjaz e William Beresford).  
Mas o país era palco de descontentamento, motivado não só pela ausência da corte, como também pelas 
dificuldades acrescidas advindas da guerra. 
A contestação ao governo “fantoche” liderado por Beresford e a pesada carga onerosa para a manutenção 
da corte e do rei, entretanto aclamado (em 1816) em terras estrangeiras, geravam a desconfiança e o desagrado de um povo, que, mais uma vez, se sentia abandona à sua triste sorte. 


A passividade e o clima de suspeição que se sentia propiciaram as ideias de conjura e a procura de um líder. Amado pelo povo, respeitado pelos amigos e odiado pela classe governativa, Gomes Freire é escolhido como elemento sacrificial, não pelas ações que comete, mas pelo perigo que representa. 
Estes são, no fundo, os antecedentes que explicam, em Felizmente há Luar, o TEMPO DA HISTÓRIA, 
que é diferente do  TEMPO DA ESCRITA, embora entre ambos haja um paralelismo histórico, quer em 
relação ao estado do país, quer em relação à política vigente.




Retirado de: http://ciberjornal.files.wordpress.com/2009/01/ficha-inform-sobre-contextualizacao-historico-social-felizmente-ha-luar.pdf 

Biografia e Bibliografia de Luís de Sttau Monteiro

Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu no dia 03/04/1926 em Lisboa. Em 1936 o seu pai, devido à posição de Embaixador de Portugal em Londres, leva-o com ele onde irá ficar até 1943, altura em que seu pai é destituído do cargo por Salazar. Nessa altura regressa a Lisboa onde estuda e se forma em advocacia. Aí exerce ainda durante algum tempo, até que parte novamente para Londres onde se dedica ao desporto automóvel na fórmula 2. A sua estadia em Inglaterra, durante a juventude, pô-lo em contacto com alguns movimentos de vanguarda da literatura anglo-saxónica. Regressa novamente a Portugal onde escreve no Diário de Lisboa, destacando-se a revista “Almanaque” e o suplemento “A Mosca”, cria ainda a secção “Guidinha” no mesmo jornal. Em 1961, publicou a peça de teatro “Felizmente há Luar!”, distinguida com o Grande Prémio de Teatro, tendo sido proibida pela censura a sua representação. Só viria a ser representada em 1978 no Teatro Nacional. Foram vendidos 160 mil exemplares da peça, resultando num êxito estrondoso. Foi preso em 41967 pela PIDE após a publicação das peças de teatro “Guerra santa” e “A Estatua”. Sátiras que criticavam a ditadura e a guerra colonial. Em 1971, com Artur Ramos, adaptou ao teatro o romance de Eça de Queirós “A Relíquia ”, representada no Teatro Maria Matos. Escreveu o romance inédito “Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão”, adaptado como novela televisiva em 1982 com o titulo “Chuva na Areia”. Faleceu no dia 23/07/1993 em Lisboa.

Obras – Ficção: Um Homem não Chora (romance, 1960), Angústia para o Jantar (romance, 1961), E se for Rapariga Chama-se Custódia (novela, 1966). Teatro: Felizmente Há Luar (1961), Todos os Anos, pela Primavera (1963), Auto da Barca do Motor fora da Borda (1966), A Guerra Santa (1967), A Estátua (1967), As Mãos de Abraão Zacut (1968).




Retirado de: http://tatianaportugues.blogspot.pt/2011/02/bibliografia-de-luis-de-sttau-monteiro.html 

Teatro Épico





O teatro épico é produto do forte desenvolvimento teatral na Rússia, após a Revolução Russa de 1917, e na Alemanha, durante o período da República de Weimar, tendo como seus principais iniciadores o diretor russo Meyerhold e o diretor teatral alemão Erwin Piscator. Nesse tempo, as cenas épicas alemãs recebiam o nome de cena Piscator, dado o extensivo uso de cartazes e projeções de filmes nas peças dirigidas por Piscator. No entanto, o grande propagandista do teatro épico foi Bertolt Brecht.


O crítico norte-americano Norris Houghton afirma que Brecht e Piscator aprenderam o teatro épico de Meyerhold e que nós o conhecemos através de Brecht.


Teatro Épico – Representação de um acontecimento ocorrido no passado histórico. Sttau Monteiro (Felizmente Há Luar!), Bernardo Santareno (O Judeu) e Cardoso Pires (O Render dos Heróis), foram influenciados pelo dramaturgo alemão Bertoli Brencht, “pai” deste tipo de teatro que se opõe ao drama aristotélico.


Teatro Épico (drama não aristotélico)
- Deseja provocar uma atitude socialmente empenhada, visando a transformação da sociedade.

- Rejeita a cartase.

- O espetador deve ser desligado da ação, criando-se o efeito de distanciação.

- Valoriza a narrativa – o espetador ouve a narração dos acontecimentos.

- O espetador deve refletir, ser crítico.

- O espetador é ativo, estimulando a sua capacidade de observação e de raciocínio.

- O espetador recordará para sempre a mensagem da obra. 

- O ator demonstra ação.

Encenação do Teatro Épico
- O encenador deve utilizar uma vasta variedade de efeitos para que os espetadores desenvolvam as suas capacidades de reflexão.

- A história estrutura-se por uma sucessão de situações; o décor, sonoridades e coreografia são independentes, tal vista a impedir a criação da ilusão da realidade; os gestos, os aspetos fisionómicos, os comportamentos, a entoação constituem o que Brecht denominava, no seu conjunto, por “gestus”, isto é, as atitudes marcantes do ser humano.

- No palco, todas as formas de criar ilusão devem ser banidas, como, por exemplo, o uso de cortinas. Assim, as cenas são exuberantemente iluminadas.



Retirado de: http://acncs.blogspot.pt/2012/05/caracteristicas-do-teatro-epico.html 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_%C3%A9pico